Indianão 2015 terá audiência no Brasil? Não, não estamos falando de críquete

20 10 2014

Quando falamos da Índia logo lembramos de curry, Gandhi, Bollywood e, no âmbito esportivo, do críquete. Pensar em futebol indiano é coisa de piadas do tipo “esse zagueiro aí não joga nem no campeonato indiano”.

Porém o final de 2014 está nos surpreendendo positivamente com notícias a respeito do desenvolvimento de uma liga de futebol profissional no país de Madre Teresa. O que era impensável há poucos anos, agora é realidade. E uma realidade cara e estrelada. Ainda modesta, de fato, porém o que se tem visto pode ser o início de uma nova meca do futebol.

O grande objetivo é difundir o esporte mais popular do mundo em uma nação de mais de 1bi de habitantes e, consequentemente, lucrar, lucrar e lucrar com patrocínios e mídia. Por isso três corporações gigantes indianas se uniram a fim de patrocinar o futebol local: a agência de marketing IMG; a Star India, subsidiária da 21st Century Fox; e a Reliance, indústria de energia e matérias-primas.

Ao mesmo tempo, tem-se como meta classificar o país para a Copa de 2026, a qual seria a primeira dos indianos – iriam disputar o mundial de 1950 aqui no Brasil devido a desistência de muitos países asiáticos de jogar as eliminatórias, mas a FIFA proibiu os hindus de jogarem descalços, o que era seu costume e, por isso, não aceitaram a vaga.

Desta maneira, de olho no retorno financeiro e na audiência de 1/7 avos da população global, a FIFA classificou a Índia como prioridade do plano estratégico de difusão do futebol, em parceria com a associação nacional de futebol do país. Tais ações já atraíram novas corporações interessadas, como Puma, Samsung, Pepsi e Suzuki. Instituições deste tamanho não iriam dar um tiro no escuro, portanto futebol na terra damasala já é uma realidade.Zico recebeu colar típico indiano das mãos de dirigente do clube

Por enquanto, o “indianão” é modesto: apenas oito clubes. Contudo os nomes que receberam a missão de fazer o povo gostar de frequentar estádios fora do críquete e ensinar os indianos a trocarem o taco pelos pés são bastante conhecidos e prestigiados: Zico, o homem que já transformou completamente o futebol no Japão, é técnico do Goa FC. Outros brasileiros estão jogando, entre eles Elano.

Os tupiniquins não são os únicos desbravadores que desceram do avião direto para o tuc tuc com esta função. O italiano Materazzi faz as vezes de zagueiro e treinador do Club Chennai, onde comanda Elano. Os franceses Anelka e Pires estão atuando por Mumbai City e o mesmo time de Zico, respectivamente. O Delhi Dynamos terá como maestro o ídolo da Juventus Del Piero. Trezeguet e Capdevilla, outras duas figuras importantes do futebol recente, também estão por lá.

O marketing e o trabalho de relações públicas estão sendo muito bem feitos com a imagem destes técnicos e atletas, admirados até mesmo por quem prefere o críquete. Além disso, a FIFA elegeu o país como sede do mundial sub-17 no próximo ano, para acostumar o povo hindu a grandes competições do futebol, bem como atrair jovens de lá para sua prática. Seja bem-vinda ao mundo das quatro linhas, Índia, com tudo que tem direito, sejam coisas boas ou ruins.

Pedro Corat





O esporte como utilidade pública: engajamento social e a campanha do balde de gelo

28 08 2014

Atletas das mais diversas modalidades costumam receber status de celebridades graças às suas conquistas esportivas, ao marketing e à exposição pela mídia. Aproveitando o conhecimento e a admiração que despertam, muitos deles elegem-se para cargos políticos, tornam-se garotos-propaganda ou empresários, entre outras ocupações de destaque midiático.

 Porém é igualmente comum observarmos o emprego da imagem de atletas em campanhas de sensibilização social, obras filantrópicas e alertas de utilidade pública. Por serem pessoas bem quistas de maneira geral pela sociedade, suas vozes se tornam fortes instrumentos a fim de transmitir e fazer compreender a mensagem em questão.

 Apelos pela paz nos estádios ganham mais credibilidade quando mostram rivais em campo se abraçando na TV. Um campeão olímpico fotografado doando sangue incentiva a população a fazer o mesmo. O governo federal alcança mais lares associando a divulgação de uma reforma previdenciária, por exemplo, a um esportista com boa aceitação no país.

 Algumas vezes o próprio atleta inicia a campanha, seja por aproximação à causa, seja por vivê-la na própria pele. É o caso da recente viralização massiva do “desafio do balde de gelo”.

 O ex-jogador norte-americano de baseball universitário Pete Frates foi diagnosticado, em março de 2012, com Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), uma doença neurodegenerativa ainda sem cura. A ELA causa a paralisia motora irrecuperável e que nos EUA também é conhecida como doença de Lou Gehrig, ex-atleta que morreu por consequências da ELA em 1941, tendo atuado por 17 anos com a camisa do New York Yankees e MVP da Major League Baseball em duas oportunidades.

 Frates ainda não sabia, mas estava prestes a, ao menos por ora, sensibilizar parte da população sobre a ELA, auxiliar institutos de pesquisa que buscam sua cura e criar mais um fato viral na internet. Frates não foi o inventor do “desafio do balde de gelo”, mas quem popularizou.

 O precursor foi um jogador de golfe em uma brincadeira com a prima, cujo marido também tinha ELA. A moça deveria tomar um banho de gelo em troca de uma doação para pesquisas relativas à doença. Pronto. Era a receita para a massificação. A brincadeira chegou em Frates e, de atleta em atleta, foi atingindo Neymar, Cristiano Ronaldo, LeBron James, Usain Bolt e outras personalidades fora do esporte, como Gisele Bündchen e Bill Gates.

 Como toda campanha de mídias sociais que se torna viral e ganha a adesão de celebridades, o “desafio do balde de gelo” foi apropriado pelo marketing pessoal e pela publicidade a fim de promover a imagem e a reputação destas pessoas notáveis. Grandes produções foram montadas para o simples gesto de virar um balde de gelo sobre a própria cabeça.

 Muitas marcas apareceram e vários times de diversas modalidades aderiram à causa. Coincidência? Filantropia interesseira? Marketing de oportunidade? Talvez tudo disso um pouco, ou nada se sabe. O importante é que as doações já passam dos US$ 22 milhões e a ELA dá um importante passo para conhecer sua cura.

 Hoje Pete Frates convive com a doença, se casou e ocupa o cargo simbólico de diretor de operações de baseball do Boston College.

 

Pedro Corat

 Vídeo: compilação com alguns jogadores de futebol fazendo o “desafio do balde de gelo” (tem o CR7 de sunguinha, pra deleite feminino)

Para saber mais sobre a ELA e fazer doações, visite o site do Instituto Paulo Gontijo





Rugby: isso já é grande no Brasil

16 08 2014

O ComunicaBola esteve nesta terça-feira (12/08) no lançamento da Academia Dove Men+Care & Kibon de Rugby, em São José dos Campos-SP. Trata-se de uma parceria da CBRu (Confederação Brasileira de Rugby) com estas marcas visando a formação de novos jogadores para a seleção brasileira, com pensamento nas Olimpíadas de 2016 e 2020, bem como nos mundiais deste esporte em 2019 e 2023.2014-08-12 11.45.55

O chamado Projeto das Academias – além da cidade do Vale do Paraíba, a capital paulista também recebe uma unidade – trabalhará com adolescentes de 15 a 19 anos que já praticam rugby em clubes e/ou colégios do estado. Serão pinçados talentos potenciais durante competições afins e estes meninos e meninas então ficarão alojados por um período na Academia, onde farão treinamentos adequados e contarão com toda a infraestrutura necessária. Ao mesmo tempo, os garotos terão acompanhamento com nutricionistas, psicólogos e fisioterapeutas.

Após o contato com outros atletas e treinadores, o jogador retorna a seu time ou escola para retribuírem o aprendizado mediante seus colegas, treinadores e professores. A CBRu planeja estender as Academias para outras cidades das regiões sul e sudeste, pelo fato de mais da metade dos praticantes de rugby no país serem oriundos destas localidades. Há também a possibilidade de estudar sua aplicação em todo o território nacional.

Este projeto é um importante passo para aprimorar ainda mais o desenvolvimento do rugby no Brasil e fazer deste um esporte profissional aqui. As metas vão adiante à formação de atletas para as seleções brasileiras masculina e feminina, também existe a preocupação de popularizar o rugby no país e incentivar a formação de novos clubes a fim de fortalecer os campeonatos estaduais e nacionais.

O momento é histórico e favorável, pois o esporte retorna aos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro em 2016, após 85 anos de ausência. Outro ponto de comprovação da força do rugby no mundo é que sua Copa do Mundo é o terceiro evento esportivo com mais audiência no planeta, atrás apenas do mundial de futebol e das Olimpíadas. São mais de 4 bilhões de espectadores.

Os recursos que viabilizam as Academias originam-se da Unilever, através das marcas Kibon e Dove Men+Care. O investimento vem ao encontro da política desta empresa de promover benefícios à saúde e inclusão social por meio do esporte. O acordo com a CBRu tem duração de três anos e gira em torno de R$ 1,8 milhões, além de patrocínio oficial às seleções.

A opção pelas marcas Kibon e Dove Men+Care se dá pelo fato de a primeira se associar ao compartilhamento de felicidade e a segunda já ser patrocinadora das confederações nacionais de rugby do Reino Unido, bem como estar vinculada à força e cuidado, valores que remetem ao rugby.

A seguir, transcrição de entrevista exclusiva com Aline Okada, gerente de marketing da Dove Men+Care:

Aline, qual o papel do esporte no marketing de uma empresa como a Unilever e de uma marca tão forte como a Dove?

O esporte está totalmente relacionado aos valores da empresa, com o objetivo de melhorar a condição de vida das pessoas por meio de nossas marcas aliadas à sustentabilidade e o esporte traz benefícios à saúde e inclusão social, um pilar também valorizado na empresa. E a parceria da Dove Men+Care com o rugby é em longo prazo porque acreditamos no seu desenvolvimento no país e procuramos crescer juntos.

E você enxerga um crescimento da reputação da marca na sociedade como um todo através deste investimento no esporte?

Com certeza. Um projeto social como esse, que busca investir na base do esporte, pensando em longo prazo, traz benefícios à marca que serão vistos agora e daqui a três, cinco anos, de forma muito mais positiva.

O rugby nos Jogos Olímpicos traz um retorno de marca, financeiro e social para a Unilever e a Dove Men+Care?

Já esperamos um retorno positivo porque o esporte vai ser mais falado por voltar à Olímpiada, mas este não é nosso único objetivo. A parceria é de três anos, ou seja, termina depois da Olimpíada, e o objetivo é realmente investir no esporte em longo prazo.

São estes motivos, somados a muitos outros, principalmente os valores sociais e culturais intrínsecos, que fazem do rugby um exemplo a ser seguido por outras modalidades no Brasil. Um esporte totalmente desconhecido no país a poucos anos e hoje já tem mais de 10 mil praticantes, aproximadamente 120 clubes cadastrados, cuja receita só faz aumentar com o passar dos anos e conta com a seleção feminina entre as 12 melhores do mundo e a masculina entre as 20. Emprestando a frase da campanha da Topper pelo reconhecimento do rugby, afirmamos que já grande no Brasil.

Pedro Corat 2014-08-12 12.40.04